Animal silvestre ferido na rua: quem chamar em Bertioga (PMA, IBAMA, ONGs)
Por OceanVet · Bertioga, litoral norte de SP
Bertioga faz limite com o Parque Estadual da Serra do Mar, com a Mata Atlântica chegando até as bordas dos bairros. A Mata Atlântica aqui não é decoração — é real, contínua, e chega até as bordas dos bairros. Gambás aparecem nos jardins da Riviera. Saguis transitam nos telhados do Indaiá. Jararacas cruzam as ruas do Boraceia, especialmente depois das chuvas de verão quando o solo satura e elas buscam terreno mais alto. Pássaros atropelados na Anchieta são rotina. Quem mora ou passa temporada em Bertioga mais cedo ou mais tarde vai se deparar com um animal silvestre ferido, e precisa saber o que fazer — e o que não fazer.
A primeira coisa: manter em casa é crime
Não por rigorismo burocrático. Por proteção ao próprio animal. Animais silvestres têm necessidades dietéticas, comportamentais e sanitárias que nenhum ambiente doméstico consegue suprir adequadamente. Além disso, muitos são reservatórios de zoonoses. A Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal 9.605/1998) é clara: manter animal silvestre em cativeiro sem autorização legal é crime, com pena de 6 meses a 1 ano de detenção mais multa (art. 29 da Lei 9.605/1998).
O correto é acionar os órgãos competentes e, no máximo, oferecer abrigo temporário seguro enquanto o resgate chega.
Quem acionar — e como
Em Bertioga e região, os canais são:
- Polícia Militar Ambiental (PMA) — Batalhão da Baixada Santista: ligue 190 (emergência) ou 0800 055 5555 (linha verde). A PMA tem competência legal para resgatar animais silvestres e encaminhá-los para tratamento. É o canal mais rápido para situações de risco imediato — animal na pista, serpente em área habitada, animal ferido grave.
- IBAMA — Disque Denúncia Ambiental: 0800 61 8080. Funciona para denúncias e situações que envolvam tráfico de animais ou maus-tratos. Para resgate imediato, a PMA costuma ser mais ágil.
- CRAS (Centros de Reabilitação de Animais Silvestres do Estado de SP): não há um CRAS em Bertioga, mas há unidades de triagem em Cubatão e Santos. CRAS/Centros de Reabilitação na Baixada Santista realizam triagem após contato pela Polícia Militar Ambiental (PMA). O encaminhamento depende do estado do animal e disponibilidade — você não precisa fazer esse transporte por conta própria.
O que fazer enquanto espera o resgate
Não manipule o animal mais do que o necessário. Silvestres estressados com manuseio humano podem agravar ferimentos, entrar em choque ou atacar por medo. Use luvas grossas se precisar mover o animal. Para a maioria dos casos, o suficiente é:
- Colocar o animal num caixote ventilado (caixa de papelão com furos, ou caixa de transporte de pet) forrado com pano limpo, sem usar jornal (a tinta é tóxica para aves)
- Deixar num local escuro, silencioso e com temperatura ambiente — longe de crianças, outros pets e barulho
- Não oferecer comida nem água sem orientação veterinária — o animal pode estar em choque e a ingestão piora
- Não tentar "tratar" fraturas, ferimentos ou qualquer outra lesão em casa
Serpente: fotografe, não toque
A jararaca (Bothrops jararaca) é a espécie peçonhenta mais encontrada em Bertioga. Aparece nos bairros que fazem borda com a mata — Indaiá, Boraceia, e nas partes mais arborizadas da Vista Linda. É rápida, camuflada e defende-se com eficiência quando se sente encurralada. Não existe forma segura de capturar jararaca sem equipamento e treinamento específico.
O que fazer: fotografe de distância segura (zoom do celular, não chegue perto), isole a área se possível (feche portas, afaste pessoas), e ligue imediatamente pra PMA no 190. Eles têm protocolo e equipamento pra isso. Molhar serpente com água não a afasta — esse mito circula muito e é perigoso: você só vai enervá-la.
E se seu pet foi atacado por animal silvestre?
Isso é emergência veterinária. Imediatamente. Não espere os sintomas aparecerem. Mordida de morcego pode transmitir raiva, mesmo em Bertioga — o litoral de SP não é área livre de raiva em morcegos hematófagos. Se você (tutor) também teve contato com saliva ou arranhão de morcego, procure UPA imediatamente para profilaxia antirrábica humana — não espere. Gambás são reservatórios potenciais de Leptospira spp. — contato com urina é o maior risco. Saguis brasileiros (calitriquídeos como Callithrix jacchus) podem transmitir febre amarela silvestre — qualquer arranhão ou mordida de sagui exige avaliação MÉDICA HUMANA urgente para profilaxia de febre amarela, tétano e raiva, além de cuidados veterinários ao pet. Mordida de serpente peçonhenta em cão ou gato evolui em horas.
Enquanto leva ao veterinário: não tente sugar o veneno, não faça torniquete, não aplique gelo. Mantenha o animal calmo, com movimentação mínima, e vá direto à clínica. O tratamento de suporte começa imediatamente na chegada — e verificar o cartão de vacinação do pet (especialmente anti-rábica) faz parte da avaliação inicial.
A OceanVet pode orientar por WhatsApp enquanto você está a caminho, especialmente nos casos em que não fica claro se a mordida foi de animal peçonhento ou não. Ligue e descreva o animal agressor se conseguiu identificá-lo — ajuda muito no protocolo.
Fauna silvestre pede respeito, não heroísmo
O instinto de ajudar é certo. O método faz toda a diferença. Acione os profissionais, proteja o animal de estresse adicional, e cuide do seu pet se ele esteve em contato. Bertioga tem uma das biodiversidades mais ricas do litoral paulista — a Mata Atlântica aqui é fragmento valioso. Isso significa conviver com a fauna, não dominá-la.
Dúvida sobre seu pet? Fale direto com a equipe da OceanVet.
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