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Animal silvestre ferido na rua: quem chamar em Bertioga (PMA, IBAMA, ONGs)

Por OceanVet · Bertioga, litoral norte de SP

Área de Mata Atlântica em Bertioga onde animais silvestres habitam

Bertioga faz limite com o Parque Estadual da Serra do Mar, com a Mata Atlântica chegando até as bordas dos bairros. A Mata Atlântica aqui não é decoração — é real, contínua, e chega até as bordas dos bairros. Gambás aparecem nos jardins da Riviera. Saguis transitam nos telhados do Indaiá. Jararacas cruzam as ruas do Boraceia, especialmente depois das chuvas de verão quando o solo satura e elas buscam terreno mais alto. Pássaros atropelados na Anchieta são rotina. Quem mora ou passa temporada em Bertioga mais cedo ou mais tarde vai se deparar com um animal silvestre ferido, e precisa saber o que fazer — e o que não fazer.

A primeira coisa: manter em casa é crime

Não por rigorismo burocrático. Por proteção ao próprio animal. Animais silvestres têm necessidades dietéticas, comportamentais e sanitárias que nenhum ambiente doméstico consegue suprir adequadamente. Além disso, muitos são reservatórios de zoonoses. A Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal 9.605/1998) é clara: manter animal silvestre em cativeiro sem autorização legal é crime, com pena de 6 meses a 1 ano de detenção mais multa (art. 29). A própria lei traz agravantes que muita gente desconhece: §2 permite ao juiz considerar não-crime quando se trata de espécie não ameaçada, guarda doméstica e o agente não tem antecedente, mas é exceção, não regra. §4 aumenta a pena pela metade se o crime for praticado contra espécie rara ou ameaçada, em período de defeso, durante a noite, ou com abuso de licença. §5 dobra a pena se houver morte do animal. Em outras palavras: "achei caidinho na rua e levei pra casa" não é argumento, é confissão. Fonte: Lei 9.605/1998 art. 29 (Planalto)

O correto é acionar os órgãos competentes e, no máximo, oferecer abrigo temporário seguro enquanto o resgate chega.

Quem acionar — e como

Em Bertioga e região, os canais são (em ordem prática, do mais útil pro morador local pra cima):

O que fazer enquanto espera o resgate

Não manipule o animal mais do que o necessário. Silvestres estressados com manuseio humano podem agravar ferimentos, entrar em choque ou atacar por medo. Use luvas grossas se precisar mover o animal. Para a maioria dos casos, o suficiente é:

Serpente: fotografe, não toque

A jararaca (Bothrops jararaca) é a espécie peçonhenta mais encontrada em Bertioga. Aparece nos bairros que fazem borda com a mata — Indaiá, Boraceia, e nas partes mais arborizadas da Vista Linda. É rápida, camuflada e defende-se com eficiência quando se sente encurralada. Não existe forma segura de capturar jararaca sem equipamento e treinamento específico.

O que fazer: fotografe de distância segura (zoom do celular, não chegue perto), isole a área se possível (feche portas, afaste pessoas), e ligue imediatamente pra PMA no 190. Eles têm protocolo e equipamento pra isso. Molhar serpente com água não a afasta — esse mito circula muito e é perigoso: você só vai enervá-la.

E se seu pet foi atacado por animal silvestre?

Isso é emergência veterinária. Imediatamente. Não espere os sintomas aparecerem. Mordida de morcego pode transmitir raiva, mesmo em Bertioga — o litoral de SP não é área livre de raiva em morcegos hematófagos. Se você (tutor) também teve contato com saliva ou arranhão de morcego, procure UPA imediatamente para profilaxia antirrábica humana — não espere. Gambás são reservatórios potenciais de Leptospira spp. — contato com urina é o maior risco.

Sagui é capítulo à parte, e tem muita informação errada circulando. Saguis transmitem raiva, não febre amarela. A febre amarela silvestre é transmitida por mosquito (Haemagogus, Sabethes); o sagui adoece junto com a gente — é vítima, não vetor. Quando você vê notícia de "macaco com febre amarela", isso é epizootia: o sagui está funcionando como sentinela, avisando que o vírus circula naquela mata. No surto de São Paulo entre 2024-2026, foi exatamente isso. Sagui morto na sua rua: NÃO TOQUE. Fotografe, isole a área e avisa Vigilância Epidemiológica via CECOM (153) — eles coletam pra análise. Fonte: ICMBio — macacos não transmitem febre amarela

O risco real de mordida ou arranhão de sagui vivo é raiva (eles podem ser infectados e transmitir), além de tétano e infecção bacteriana secundária. Qualquer contato com saliva ou ferida exige avaliação médica humana urgente para profilaxia antirrábica e antitetânica — além de cuidados veterinários ao pet, se for ele a vítima.

Mordida de serpente peçonhenta em cão ou gato evolui em horas. A janela útil pra aplicar o soro antibotrópico é cerca de 3 horas depois da picada — passou disso, a chance de salvar membro ou vida cai feio. Não enrole. Enquanto leva ao veterinário: não tente sugar o veneno, não faça torniquete, não aplique gelo. Mantenha o animal calmo, com movimentação mínima, e vá direto à clínica. O tratamento de suporte começa imediatamente na chegada — e verificar o cartão de vacinação do pet (especialmente anti-rábica) faz parte da avaliação inicial.

A OceanVet pode orientar por WhatsApp enquanto você está a caminho, especialmente nos casos em que não fica claro se a mordida foi de animal peçonhento ou não. Ligue e descreva o animal agressor se conseguiu identificá-lo — ajuda muito no protocolo.

Fauna silvestre pede respeito, não heroísmo

O instinto de ajudar é certo. O método faz toda a diferença. Acione os profissionais, proteja o animal de estresse adicional, e cuide do seu pet se ele esteve em contato. Bertioga tem uma das biodiversidades mais ricas do litoral paulista — a Mata Atlântica aqui é fragmento valioso. Isso significa conviver com a fauna, não dominá-la.

Dúvida sobre seu pet? Fale direto com a equipe da OceanVet.

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Imagem ilustrativa: Domínio Público (Wikimedia Commons)
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