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Fogos no Réveillon: como proteger seu pet em Bertioga

Por OceanVet · Bertioga, litoral norte de SP ·

Cão tranquilo deitado sobre uma manta num cantinho seguro da sala à noite, com luzes coloridas desfocadas pela janela

Dia 31, quase meia-noite. A casa de praia tá cheia, alguém aumenta o som. Vem o primeiro estouro e o cachorro, tranquilo o dia todo, some. Uns vão parar debaixo da cama. Outros tentam cavar o portão. Se o seu pet é desse time (ou se você nem sabe como ele reage), a hora de preparar é agora, semanas antes, e não no dia.

Por que o estouro pega tão pesado neles

Começa pelo ouvido. Pela tabela da Escola de Veterinária da Universidade Estadual da Louisiana (LSU), a audição humana alcança por volta de 23 mil hertz, a do cão chega perto de 45 mil e a do gato, de 64 mil. É outro mundo sonoro. Um veterinário do CRMV-SP resume assim: pro cão, o barulho é muito mais alto do que pra gente. Some isso a um estouro sem aviso, repetido, com clarão no céu. Tem bicho que foge, tem bicho que se esconde e se machuca no caminho, tem bicho que fica agressivo.

Um detalhe daqui. Desde 2021, a Lei estadual nº 17.389 proíbe a queima e a soltura de fogos de estampido em todo o Estado de São Paulo, Bertioga incluída. Os fogos de vista, de efeito visual e sem estampido, continuam liberados. O clarão segue, e ninguém garante que a rua inteira vai respeitar a regra.

Referências: LSU Vet Med: faixas de audição · CRMV-SP: pets e queima de fogos · ALESP: Lei nº 17.389/2021.

Como perceber que ele tá com medo

Nem todo cão avisa do mesmo jeito. Uma equipe da Universidade de Berna, na Suíça, analisou vídeos de cães em casa no Ano-Novo e comparou com uma noite comum. O que mais se destacou:

No gato, o recado costuma ser mais discreto. Ele some. Come e bebe menos, anda inquieto, pode fazer xixi fora da caixinha ou se lamber demais. O estudo suíço deixa uma lição que a gente leva pro consultório: cada animal demonstra medo de um jeito, e vale conhecer o do seu antes da virada.

Referências: Gähwiler et al., Sci Rep 2020 · Cats Protection: gatos e fogos.

Comece agora: cantinho seguro e som baixinho

Escolha um canto onde ele já gosta de ficar e monte ali um refúgio: caminha, manta, brinquedo, um petisco de vez em quando. Ele precisa ligar o lugar a coisa boa e ter acesso sempre. Caixa de transporte aberta e forrada também vira esconderijo.

Depois vem a dessensibilização: gravação de fogos num volume tão baixo que ele mal percebe, com petisco ou brincadeira, subindo o volume aos poucos. Assustou? Para na hora e, na sessão seguinte, volta mais baixo. O guia distribuído pela Dogs Trust, criado por dois veterinários especialistas em comportamento, avisa que isso leva várias semanas de treino diário. Duas semanas antes da festa não dá tempo. Se ele entra em pânico até no volume mínimo, o caso pede avaliação veterinária.

Com filhote, melhor ainda. Num levantamento da Universidade de Berna com mais de 1.200 cães, o medo de fogos costumava surgir cedo e andava junto com medo de trovão. Os dados indicam que ensinar o filhote a ligar o barulho a algo bom ajuda muito a prevenir.

Referências: Dogs Trust: terapia com sons (PDF) · RSPCA: pets e fogos · Riemer, PLoS One 2019 · CRMV-SP.

Na noite da virada

Dá pra deixar quase tudo pronto antes do jantar.

E tem a parte que mais pesa: não brigue com ele por sentir medo. Não grite, não puxe de baixo da cama, não force a sair do esconderijo. Ele não escolhe sentir isso, e bronca só piora lá na frente. Se ele se enfiou num canto, deixa. Fique calmo, perto, e dê carinho se ele pedir.

Referências: CRMV-SP: dicas para a virada · RSPCA: pets e fogos.

Plaquinha, microchip e a casa alugada

Bicho assustado corre. Veterinários do CRMV-SP contam que muitos acabam na estrada, e já houve animal que atravessou porta de vidro pra escapar. Por isso a coleira fica no pescoço nessa noite, com uma plaquinha com nome e telefone legível. Se ele tem microchip, confira se o cadastro está com o seu celular atual. Chip com número antigo não leva ninguém até você.

Veio passar o Réveillon em Bertioga com o pet numa casa alugada? Atenção dobrada. Ele não conhece o lugar, e a própria mudança de rotina já pode aumentar o estresse, segundo o CRMV-SP. Chegou? Dá uma volta pelo terreno ainda de dia:

Na dúvida? Ele passa a noite num cômodo fechado, com o cantinho montado ali.

Referências: CRMV-SP · RSPCA · Cats Protection · Dogs Trust.

Gato, passarinho e coelho também sentem

Não é só cachorro. O CRMV-SP lembra que gatos, aves e até bichos silvestres (a gente falou deles neste post sobre fauna silvestre) sofrem com barulho e clarão. O gato entra antes de escurecer e fica com portas e janelas fechadas, porque gato assustado tende a fugir e acha rápido a janela esquecida aberta. Ofereça esconderijo: no alto, numa caixa com manta, debaixo da cama. E nada de pegar no colo à força. Segundo a Cats Protection, isso pode deixar o gato com mais medo; ele vem quando estiver pronto.

Coelho e porquinho-da-índia que moram no quintal? A RSPCA recomenda trazer pra dentro. Se não tiver jeito, cubra o viveiro com manta, deixando espaço pra ventilação, ou vire a frente dele pra parede. E a gaiola de passarinho da varanda merece, nessa noite, um canto abrigado dentro de casa.

Referências: CRMV-SP · Cats Protection · RSPCA: pequenos pets.

Pet que já entra em pânico: fale com a gente antes

Tem cão que passa a noite ofegando, andando sem parar, e leva dias pra voltar ao normal. Se o seu é assim, não espere dezembro. Converse com a equipe veterinária com antecedência. Animal cardíaco, com problema respiratório ou renal, doença crônica ou em pós-operatório pode sofrer ainda mais, e o CRMV-SP recomenda check-up antes das festas pros mais sensíveis. Na consulta, a gente avalia o seu bicho, conversa sobre o manejo e, se o caso pedir, discute uma medicação prescrita.

O que não fazer:

Referências: CRMV-SP · Riemer, PLoS One 2019 · UFPR: automedicação em pets · CRMV-AL: remédio humano e pets.

Pra gente, é festa. Pra ele, o susto pode levar horas, às vezes dias, pra passar. Se mesmo assim ele se machucar tentando fugir, a emergência da OceanVet funciona 24 horas, feriado incluído. E uma tarefa pra já: na próxima trovoada de verão, repara pra onde ele corre. Pode ser que ele já tenha escolhido o cantinho seguro. Aí só falta a manta.

Seu pet entra em pânico com fogos? Converse com a equipe da OceanVet antes da virada.

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Imagem ilustrativa gerada por IA
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