Fale conosco
(13) 99150-1057

Pernilongo e seu pet: doenças que ele transmite no litoral

Por OceanVet · Bertioga, litoral norte de SP

Pet descansando em área protegida de insetos no litoral

No final do dia em Bertioga, quando o vento para e o calor baixa um pouco, o mosquito aparece. Todo mundo sabe disso. O que muita gente não sabe é que o pernilongo não é só incômodo — ele é vetor de doenças que afetam cães e gatos de verdade, e algumas dessas doenças não dão sinal por anos até o quadro já estar grave.

Vamos por partes, porque há confusão comum entre espécies de mosquito e o que cada uma transmite.

Culex e Aedes: dois mosquitos, perfis diferentes

O mosquito que mais incomoda no entardecer e à noite no litoral norte é o Culex quinquefasciatus — o pernilongo comum, aquele que zumbe perto do ouvido antes de dormir. O Aedes albopictus (o "mosquito tigre", primo do Aedes aegypti) pica principalmente durante o dia, especialmente pela manhã e final de tarde, e está muito presente em Bertioga graças à umidade e à quantidade de vegetação.

Para fins de saúde animal no litoral norte, o que mais importa é: Culex quinquefasciatus é o principal transmissor de dirofilariose em cães, mas Aedes aegypti (a cepa Rio, em particular) e Aedes albopictus também são vetores competentes de Dirofilaria immitis — com papel secundário, mas real. A gente costumava dizer "Aedes não transmite", e isso virou desatualizado. Os trabalhos do Instituto Oswaldo Cruz mostraram que essas duas espécies de Aedes sustentam o desenvolvimento da larva até o estágio infectante. Fonte: Mem Inst Oswaldo Cruz / SciELO Em paralelo, o Aedes é também o vetor de dengue e chikungunya, doenças com peso enorme em humanos e impacto ainda em estudo em animais.

Dirofilariose: o verme do coração

A dirofilariose é causada pela Dirofilaria immitis, um nematódeo que se instala nas artérias pulmonares e, em infecções pesadas, no coração do cão. A transmissão acontece pela picada do Culex: o mosquito ingere microfilárias (larvas circulantes) quando pica um cão infectado, e ao picar outro cão deposita as larvas infectantes na pele.

O problema é o tempo. A larva demora cerca de 6 meses para se desenvolver em verme adulto dentro do cão. E o verme adulto pode viver de 5 a 7 anos no hospedeiro. Isso significa que um cão pode estar infectado há anos antes de mostrar qualquer sinal clínico.

Quando os sintomas aparecem, já há carga parasitária significativa:

O tratamento da dirofilariose ativa é complexo, caro e tem riscos sérios (morte dos vermes adultos pode causar tromboembolismo pulmonar). A prevenção é infinitamente mais simples. Existe profilaxia mensal eficaz — ivermectina em dose baixa, milbemicina, moxidectina — que mata as larvas antes de se desenvolverem em adultos. Se o seu cão mora no litoral ou passa temporadas por aqui, isso não é opcional.

Aviso sobre resistência: existem relatos crescentes nos Estados Unidos de cepas de D. immitis resistentes à classe das lactonas macrocíclicas (a família da ivermectina, milbemicina e moxidectina). No Brasil ainda não temos quadro consolidado, mas é motivo pra não relaxar — adesão mensal, sem pular dose, é a forma de não selecionar resistência aqui também.

Dirofilariose felina: o problema esquecido

Por muito tempo se tratou dirofilariose como "doença de cão". Não é. Gato também pega, e em gato o quadro tem nome próprio: HARD — Heartworm Associated Respiratory Disease. A carga parasitária costuma ser baixa (um ou dois vermes adultos), mas a resposta inflamatória pulmonar é desproporcionalmente severa.

O que aparece no gato:

O ponto crítico: não existe adulticida seguro para gato. O melarsomina, que se usa em cão, é proibitivo em felino pelo risco de reação fatal. Sobra a prevenção. A moxidectina spot-on (Advocate, Profender) é a única ferramenta validada de prevenção de dirofilariose em gatos. A selamectina (Revolution) também tem indicação felina pra prevenção do verme do coração e cobre pulga, sarna e ácaro de ouvido de quebra. Fonte: Portal Vet Royal Canin — Dirofilariose em cães e gatos

Se você tem gato no litoral, especialmente gato que sai pra varanda, quintal ou tem acesso à rua, conversa com a gente. É barato prevenir, é impossível tratar.

Gatos e dermatite por picada

Gatos de pelagem clara — especialmente brancos e ruivos — são suscetíveis à dermatite actínica e à dermatite por picada de inseto nas orelhas. A região da ponta da orelha, onde a pele é fina e exposta, é alvo frequente do Aedes e do Culex.

Com picadas repetidas, desenvolve-se inflamação crônica na borda da orelha — começa como vermelhidão e descamação, pode evoluir para crostas, úlceras, e a exposição solar piora o quadro (a inflamação por picada torna a pele mais sensível à radiação UV). Em casos de longa duração não tratados, pode surgir carcinoma de células escamosas — um tipo de câncer de pele agressivo.

Se você tem um gato branco ou ruivo em Bertioga, vale observar as orelhas periodicamente. Qualquer espessamento, perda de pelo na ponta da orelha ou vermelhidão persistente merece avaliação.

Leishmaniose: não é o pernilongo, mas gera confusão

Muita gente ouve falar de leishmaniose e associa imediatamente a "mosquito". Importante esclarecer: a leishmaniose visceral canina é transmitida pelo flebotomíneo (Lutzomyia longipalpis), um inseto diferente do mosquito comum, muito menor, que não zumbe e pica de forma praticamente imperceptível.

Bertioga e o litoral norte de SP não são área endêmica para leishmaniose visceral canina (as áreas endêmicas no estado se concentram mais no interior, especialmente região de Araçatuba e Bauru). Mas o vetor pode estar presente em áreas de mata, e cães que transitam entre o litoral e municípios do interior endêmico precisam de avaliação.

Sobre vacina (atualização 2026): a Leish-Tec — única vacina registrada no Brasil contra leishmaniose visceral canina — está com fabricação e venda SUSPENSAS pelo MAPA desde maio de 2023 (motivo: lotes não atingiram o nível proteico mínimo de imunização). Em 2026 NÃO há vacina disponível no país, sem previsão de retorno. Letifend (Virbac, Espanha) não é registrada aqui. Sem vacina, a proteção depende de controle vetorial: coleiras com deltametrina 4%, pipetas com piriproxifen+permetrina e telas micrométricas. Se você tem dúvida sobre o risco do seu cão (especialmente se transita pra Araçatuba, Bauru ou outras áreas endêmicas), a gente avalia o histórico e indica o que faz sentido.

O que usar (e o que nunca usar) como repelente no pet

DEET, presente em muitos repelentes humanos, é tóxico para cães e gatos. Permetrina é segura para cães mas extremamente tóxica para gatos — não use qualquer produto com permetrina em gato ou em ambiente onde o gato circula. Isso é sério. Intoxicação por permetrina em gatos é emergência neurológica.

Produtos indicados para pets:

A tela na janela protege o pet e te dá uma noite de sono melhor também. Dois benefícios com um investimento.

Dúvida sobre seu pet? Fale direto com a equipe da OceanVet.

💬 WhatsApp (13) 99150-1057
Imagem: Wikimedia Commons / CC BY-SA 4.0
💬 WhatsApp