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Férias em Bertioga com pet: o que saber antes de descer a serra

Por OceanVet · Bertioga, litoral norte de SP ·

Família passeia de manhã cedo com cachorro na coleira pelo calçadão da orla de Bertioga, fora da areia, com a serra verde ao fundo

Mala no porta-malas, cooler cheio e o cachorro grudado na porta, porque ele já entendeu que vai junto. Aí bate a dúvida: pode levar o pet na praia em Bertioga? Não pode. E tem mais umas coisas que a gente, que cuida de bicho aqui no litoral o ano inteiro, gosta que o turista saiba antes de descer a serra.

A regra da praia: na areia, não

Bertioga tem a Lei Municipal nº 205/96, a lei de zoonoses da cidade. O artigo 14 não deixa brecha: “Fica proibida a circulação e permanência de animais na faixa de areia da praia, ainda que com coleira e em companhia de seu proprietário.” Nem de coleira. Nem com você do lado. A regra é municipal, então tanto faz se a casa fica na Enseada, na Riviera de São Lourenço, no Indaiá ou em Boracéia. Na rua e na calçada, cachorro passeia de coleira e guia, com alguém que tenha força pra segurar (art. 11), e o cocô é por conta do tutor (art. 15). Quem descumpre fica sujeito a penalidades como multa e até apreensão do animal (art. 38).

O motivo é saúde. Fezes de cães e gatos podem trazer ovos de ancilostomídeos, vermes cujas larvas se desenvolvem na areia quente e úmida e atravessam a pele de quem anda descalço ou deita no chão. Em gente, isso vira o bicho geográfico (larva migrans cutânea), uma lesão fina e sinuosa que coça demais. A própria Prefeitura cita a larva migrans quando explica a proibição.

Referências: Lei Municipal nº 205/96 (Prefeitura de Bertioga) · Prefeitura de Bertioga: Zoonoses alerta para a proibição de animais na praia · Manual MSD: Larva migrans cutânea · Sociedade Brasileira de Dermatologia: Larva migrans.

Antes de sair de casa: a mala do pet

A arrumação do bicho começa dias antes. Olhe a carteira de vacinação com calma. A antirrábica, por exemplo, é obrigação do tutor pela mesma lei de Bertioga (art. 20), e se alguma dose estiver atrasada, converse com o veterinário que já acompanha o seu pet antes de pegar a estrada.

Depois vem pulga e carrapato. No calor, eles aparecem mais. O carrapato-marrom-do-cão é um dos transmissores da erliquiose, doença que pode causar febre, ínguas e queda de plaquetas, e a principal prevenção é o controle de carrapatos com o produto que o seu veterinário indicar. A gente explica a doença com calma neste post sobre erliquiose no litoral. Na mala, não esquece:

Referências: Lei Municipal nº 205/96 (Prefeitura de Bertioga) · AVMA: Warm weather pet safety · Merck Veterinary Manual: Ehrlichiosis in Dogs.

Na estrada: preso no carro e nunca sozinho

Cachorro solto no banco fica fofo na foto. Na freada, não. A AVMA, associação veterinária dos Estados Unidos, orienta usar peitoral próprio para carro preso ao cinto ou uma caixa de transporte bem firme, grande o bastante pro bicho ficar em pé, virar e deitar. Pro gato, caixa. Cabeça pra fora da janela também não: tem sujeira voando, e numa curva ou freada o bicho pode ser jogado pra fora ou pular.

O Código de Trânsito Brasileiro também entra na conversa. É infração média dirigir “transportando pessoas, animais ou volume à sua esquerda ou entre os braços e pernas” (art. 252, II). Pet no colo de quem dirige? Tá fora.

E o mais sério: nunca deixe o pet no carro parado, nem pra correr na padaria. Segundo a AVMA, a temperatura lá dentro pode subir cerca de 11 °C em só 10 minutos, mesmo com o carro na sombra, e deixar a janela entreaberta não faz diferença. Nas paradas, ofereça água, deixe ele fazer xixi e só abra a porta com a guia já presa.

Referências: AVMA: Pet safety in vehicles · Código de Trânsito Brasileiro (Lei nº 9.503/1997), art. 252.

Na casa alugada: vistoria antes de soltar o bicho

Chegou, abriu o portão, descarregou o carro. Cadê o cachorro? Antes de soltar o pet, dê uma volta pelo terreno: muro sem buraco, portão que fecha direito, vão embaixo da grade. Piscina sem proteção pede olho dobrado com filhote, cachorro idoso ou quem ainda não sabe onde fica a saída.

O jardim também merece uma olhada. Comigo-ninguém-pode e espirradeira estão na lista de plantas tóxicas do Merck Veterinary Manual, e alguns lírios, como o lírio-tigre, podem levar o gato a uma falência dos rins. Gato em casa nova quer fuçar tudo. Janela sem tela? Fica fechada, e a porta da sacada também.

De noite, fica de olho no sapo-cururu. Ele tem hábito noturno, pode aparecer em quintal e carrega veneno em glândulas atrás dos olhos. Cachorro que abocanha o sapo pode babar espumando, balançar a cabeça e passar a pata na boca; nos casos graves, aparecem arritmia, falta de ar e convulsão. Se acontecer, lave a boca dele com bastante água e procure atendimento na hora. Mais detalhes neste post sobre sapo no quintal.

Referências: Merck Veterinary Manual: Plants Poisonous to Animals · Animal Medical Center (NY): High Rise Syndrome in Cats · UNESP/FCAV: Anfíbios (Rhinella schneideri) · Prefeitura de Curitiba: Sapo-cururu · Merck Veterinary Manual: Toad Poisoning.

Calor e passeio: o relógio manda

Calor de janeiro no litoral é coisa séria. Passeio bom é cedinho ou no fim do dia, nos horários mais frescos, como recomenda a AVMA. No meio do dia, asfalto e calçada esquentam e podem queimar a almofadinha da pata.

O teste é rápido. Encoste as costas da mão no chão por sete segundos: se doer em você, vai doer na pata dele. A dica é do Royal Kennel Club, o clube de cães britânico. Mancar, choramingar, pata vermelha, inchada ou com bolha durante o passeio são sinais de queimadura.

Água fresca sempre, na garrafinha do passeio e num pote na sombra em casa. Cachorro acima do peso e raças de focinho curto, tipo pug e buldogue, sofrem mais com exercício no calor. Ofegar demais, babar muito, agitação, andar cambaleante, gengiva ou língua com cor diferente e desmaio são sinais de estresse por calor que pedem atendimento veterinário de emergência. A gente aprofunda isso no post sobre insolação em cães.

Referências: AVMA: Warm weather pet safety · The Royal Kennel Club: The danger of hot pavements.

Se o pet passar mal longe de casa

Ninguém viaja pensando nisso. Só que procurar veterinário às onze da noite de um feriado, com o cachorro vomitando e o celular no fim da bateria, é bem pior do que já ter o número guardado. Por isso, salve o contato de uma clínica local assim que chegar, junto com o endereço.

O Centro Veterinário OceanVet fica na Av. Anchieta, 8491, Vista Linda, aqui em Bertioga. O atendimento padrão é de segunda a sábado, das 9h às 18h. Emergência e internação funcionam 24h, todos os dias, feriado incluído, pelo WhatsApp (13) 99150-1057. Na hora de explicar o caso, conte o que aconteceu, desde quando, se o bicho comeu algo diferente e quais remédios ele toma. A carteirinha e a receita que foram na mala ajudam bastante a equipe veterinária nesse momento.

No mais, aproveita. De manhã cedo, com a serra ainda meio coberta de nuvem, o calçadão é um ótimo lugar pra passear com o cachorro sem pisar na areia. Já separou a plaquinha com o seu celular?

Vai passar a temporada em Bertioga com seu pet? Deixe nosso WhatsApp salvo: emergência e internação 24h, todos os dias, inclusive feriados.

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Imagem ilustrativa gerada por IA
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