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Vacinas do cão e do gato: o calendário explicado sem achismo

Por OceanVet · Bertioga, litoral norte de SP ·

Mãos de veterinária aplicando vacina em um filhote calmo sobre a mesa de atendimento

Filhote novo em casa, feriado chegando, e a pergunta aparece rapidinho: já dá pra levar na praia? Ainda não. Antes da areia vem o calendário de vacinas, que tem mais lógica do que parece. A diretriz da WSAVA, a associação mundial de veterinários de pequenos animais, dá o caminho, a vida no litoral muda algumas contas e o protocolo do seu cão ou gato só fecha em consulta, com ele ali na mesa.

Essenciais, opcionais e as que ficam de fora

A WSAVA separa as vacinas em grupos. Três, na real. As essenciais valem pra todo cão e todo gato. No cão, protegem contra cinomose, adenovírus e parvovirose, o miolo das polivalentes, as populares V8 e V10. No gato, a polivalente felina cobre panleucopenia, herpesvírus e calicivírus. Onde a raiva é endêmica, a antirrábica entra nessa lista pros dois; onde a leptospirose canina é endêmica e existe vacina adequada, a de leptospirose também.

As opcionais dependem de como o bicho vive. A da tosse dos canis não impede a infecção, mas pode deixar o quadro mais leve, e pesa mais pra quem convive com muitos cães. A da FeLV (leucemia felina) mudou de status. Nas regiões onde a doença ocorre, a WSAVA agora a trata como essencial pro gato com menos de 1 ano e pro adulto que sai de casa ou divide o teto com quem sai, e aponta prevalência alta em partes do Sudeste brasileiro. Só gato negativo pra FeLV deve ser vacinado, então testa antes. E tem vacina classificada como não recomendada, caso da de giárdia, por falta de evidência.

Referências: WSAVA 2024, sumário executivo · WSAVA 2024 (PT) · WSAVA, recomendações para a América Latina · Sistema CFMV/CRMVs.

O calendário do filhote, sem mistério

O filhote nasce com anticorpos da mãe, e eles atrapalham a vacina. Por quanto tempo? Varia muito, até entre irmãos da mesma ninhada, e ninguém prevê o dia em que somem. Daí as várias doses das essenciais:

O reforço dos 6 meses existe pra pegar a minoria que ainda tinha anticorpo materno na aplicação das 16 semanas. Resgatou um filhote sem histórico? Veja nosso texto sobre filhote abandonado em Bertioga e traga ele pra avaliação primeiro, porque a orientação é evitar vacinar bicho doente, muito parasitado ou desnutrido.

Referências: WSAVA 2024 (PT) · Sistema CFMV/CRMVs · Instituto Pasteur/SES-SP.

Adulto: reforço todo ano ou a cada três anos?

Aqui mora a maior confusão. A WSAVA afirma que as essenciais de vírus vivo modificado dão imunidade por muitos anos e, no adulto, não precisam ser repetidas com frequência maior que a cada 3 anos. Parece simples. Não é. As vacinas inativadas não duram tanto, e a duração aprovada em bula muda de produto pra produto. Várias vacinas continuam anuais: leptospirose, a maioria das opcionais e, pro gato de maior risco (hotelzinho, contato com outros gatos), herpesvírus e calicivírus. E tem um porém bem brasileiro. Muitas polivalentes daqui juntam essenciais e leptospirose na mesma aplicação, e a própria WSAVA reconhece que a oferta de produtos na América Latina limita essa separação.

Por isso a consulta anual continua de pé, tenha vacina naquele ano ou não. Consulta não é só agulha. A equipe veterinária examina, revê o risco e ajusta o protocolo. De quebra, confere o controle de parasitas, que no litoral é assunto o ano inteiro.

Referências: WSAVA 2024 (PT) · WSAVA 2024, sumário executivo · WSAVA, recomendações para a América Latina.

Leptospirose: a chuva de verão entra na conta

Temporal de fim de tarde, rua do bairro alagada, carro passando e jogando água na calçada. É o cenário que o Ministério da Saúde descreve pra leptospirose: a bactéria sai principalmente da urina de ratos e se espalha pela água de enchente, pela lama e pelo esgoto. O risco não some quando a água baixa. A bactéria segue na lama. A urina de cão infectado também transmite a doença pras pessoas da casa, e nos casos graves o cão pode ter insuficiência dos rins e do fígado.

A vacina ajuda. O reforço é anual, e ela cobre só as variedades da bactéria que estão no produto. Então, depois do temporal, o passeio espera a rua secar. Andou em água de enchente e, nos dias seguintes, apareceu febre, moleza, falta de apetite ou vômito? Procure atendimento e conte desse contato.

Referências: Ministério da Saúde: leptospirose · Ministério da Saúde: enchentes e leptospirose · CRMV-SP: leptospirose · WSAVA 2024 (PT).

Raiva e a carteirinha que vai na mala

A raiva passa pro ser humano pela saliva do animal infectado, principalmente pela mordida. No estado de São Paulo, segundo a Secretaria da Saúde, os morcegos são hoje os principais transmissores, e qualquer cão ou gato pode ter contato com um. Pela orientação estadual, a antirrábica se repete a cada 12 meses. A vacina pública mudou de formato: a campanha em massa foi suspensa no estado em 2022, e hoje a aplicação é de rotina, em postos fixos definidos pelo município.

Vai pegar a estrada? Em viagem pelo Brasil, o Ministério da Agricultura orienta levar a carteira de vacinação com a antirrábica e um atestado de saúde assinado por médico-veterinário com CRMV. De avião, a Abear informa que as companhias pedem antirrábica aplicada há mais de 30 dias e menos de 1 ano, com atestado de até 10 dias antes do voo. Confira com a companhia antes de comprar.

Referências: Ministério da Saúde: raiva · Instituto Pasteur/SES-SP · MAPA: viagens com animais · Abear: documentação.

Filhote na calçada antes da hora? Segura mais um pouco

Socializar cedo faz bem, e a WSAVA apoia. Com critério. Enquanto o esquema inicial não termina, a orientação é socializar em condições controladas, evitar ambientes de fora de casa que possam estar contaminados e deixar o filhote brincar só com filhotes saudáveis e cães adultos com vacinação completa. Praça movimentada, calçadão, areia por onde passam cães de vacinação desconhecida: fica tudo pra depois. Dentro de casa dá pra fazer muita coisa, tipo visita de amigos, barulho de liquidificador, escovinha, caixa de transporte aberta pra ele fuçar. Chegou pra temporada com um filhote de dois meses? Aproveita a varanda. A equipe veterinária diz quando liberar a rua, olhando o esquema dele.

Referências: WSAVA 2024 (PT).

Depois da vacina: o que é esperado e o que é alerta

Reação leve acontece. Dor ou inchaço no local, moleza, menos apetite, febre e até um episódio de vômito estão entre as mais comuns, e às vezes surge um carocinho no ponto da aplicação que costuma sumir sem remédio. Urticária e anafilaxia são menos comuns e costumam aparecer rápido: num estudo japonês citado pela WSAVA, toda anafilaxia começou na primeira hora, quase metade em até 5 minutos. Cão pequeno que recebe várias vacinas na mesma visita tem risco maior. Procure atendimento na hora se notar:

No gato, olho no caroço. Se ele continua lá 3 meses depois, passa de 2 cm ou ainda cresce um mês após a vacina, precisa de avaliação. A emergência da OceanVet funciona 24 horas, todos os dias.

Referências: WSAVA 2024 (PT) · Instituto Pasteur/SES-SP.

Não existe tabela única que sirva pra todo bicho. O gato que mora no apartamento e o cão que corre atrás de bola na areia depois da chuva vivem riscos bem diferentes, e o protocolo acompanha isso. Traz a carteirinha na próxima consulta, mesmo amassada e com adesivo meio apagado, que a gente monta o calendário junto com você. Aliás, sabe onde ela tá?

Quer revisar a carteirinha do seu cão ou gato? Agende uma consulta de clínica geral na OceanVet, de segunda a sábado, das 9h às 18h.

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Imagem ilustrativa gerada por IA
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